29 de out. de 2021

Amor


 Se existe uma forma diferente de dizer te amo, ela se expressa com tua imagem.

12 de set. de 2021

Perfume de Jasmim

 

Pôr do sol no Pontal da Barra - Laranjal - Pelotas

Vai-se o sol, fica a luz da alma,

O brilho das estrelas,

O piscar dos vagalumes.

Enfraquece o vento e trás a calma.

Vai-se o sol e vem o sereno 

Sublimando o perfume do jasmim!





8 de set. de 2021

Como uma tatuagem


Você está em mim, 
Como uma tatuagem,
Impossível apagar ou disfarçar.
Como marca de nascença,
Difícil camuflar ou encobrir.
Você está assim pra mim,
Na pele pura no arrepio profundo do existir,
Amor, assim,
Você está pra mim!

Você está em mim 
Como tatuagem no peito, 
 Impossível apagar, impossível disfarçar. 
 Como marca de nascença, 
 Que o tempo não faz esquecer, 
 Você é o traço que me faz renascer. 

Na pele, no toque, 
 No silêncio que faz o coração bater, 
 Você é o arrepio profundo do meu viver. 
Você está pra mim 
 Como o sol está pro mar, 
 Como o céu está pro vento que vem sussurrar. 
 Amor assim, tão sem fim, 
 Você está pra mim, 
 E não há como escapar, é o destino a me guiar. 

 Nos dias que passam, 
 Na ausência que grita, 
 Você ecoa na minha alma que nunca duvida. 
 É amor, é dor, é vida e é paz, 
 Você é tudo, e tudo mais...

Amor assim, 
Você está pra mim… 
Como tatuagem na alma sem fim.

6 de set. de 2021

Você



 




Devo confessar minha vontade, 
Meu desejo meu tesão, 
Minha dominação. 
Você! 
Controle de meus desejos, 
Você! 
De todos meus sentimentos, 
Você! 
Se fico quieto o faço barulho, 
Você! 
Razão inexplicável de tudo, ou quase... 
Você.
Como te desejo tanto assim se me negas?
Será que faltaram regras?

Ou sobrou verdade demais?
Te escrevo no silêncio da pele,
Te grito no caos dos meus ais.

Você...
Minha revolução e refúgio,
Teu nome é verbo em mim.
Desejo que não se explica,
Mas que insiste em ter fim.

Se é loucura, que seja inteira.
Se é amor, que arda em paz.
Porque mesmo negado,
É você que me refaz.


29 de ago. de 2021

Não faz tanto tempo assim - (sem revisão)

 


Não faz tanto tempo assim, minha rua tinha vida! Tinha grito de criança, correria e brincadeiras e, não faz tanto tempo assim. 

Nós, os vizinhos, nos conhecíamos pelo nome, sabíamos o número do telefone e podíamos contar com o olhar zeloso de cada um pelo bem do outro e, não faz tanto tempo assim! 

 Nossos filhos e netos andavam de patins, bicicleta, jogavam bola, corriam, brincavam e na tardinha sentavam â beira da calçada para lembrar do dia sem preocupações e, na hora de se recolher, cansados, só reclamavam por reclamar e podíamos dar boa tarde ou boa noite com a certeza que teríamos uma noite de paz. Saudades desse tempo! 

 Saudades da Lulu e do Pedrinho espiando por cima do muro da dona Iara! Do Arthur e da Maria Victoria, do Leonardo e da Rafaela! Da Alice e da Echiley e outras tantas crianças que corriam por nossa rua atrás de um único sonho, ser feliz! E, não faz tanto tempo assim...

Onde perdemos o controle? Quando deixamos escapar de nossas mãos essas lindas e sorridentes fontes de inspiração???

Tempo bom e, não faz tanto tempo assim!!!

6 de ago. de 2021

Se um dia provares do meu abraço

 E entre meus tropeços e passos as cegas,

Sigo arrastando minha alma,

Controlo meu pensamento para não ser grosseiro,

Ainda não perdi a gentileza!

E isso é um bom sinal!

Sou humano,

Não sou animal...

Controlo minha emoção.

Posso até gritar que te amo,

Quem ouviria? Você?

Duvido, estas entre outros braços, 

Dentro de abraços,

Que culpa terias se nunca experimentasses,

O meu!

4 de ago. de 2021

O comunista do Café Rian - IX

O movimento da rua visto pelo reflexo das vitrines era surreal, somente uma mente doentia poderia ver no comum, o inusitado. Esse era ele, Nilo. 

Certa vez passávamos em frente a Casa Lyra e o aroma da essência  dos perfumes importado tomava conta da rua. Ele, conseguiu ver um agente do DOPS do outro lado da rua pelo reflexo da vitrine associando o aroma ao nome de um colega que ele chamava de bolchevique...

_Olha lá! Já estão na cola do bolchevique por causa do Krásnaia Moskva barato que ele usa!

Era maravilhoso sentir aquelas misturas e observar as moças em pleno "footing" saindo da Casa Sloper com maquiagens personalizadas e penteados impecáveis. 

Meu tio adorava entrar na Sloper para ver os cristais. Eu, para ver os brinquedos. Nilo, só para criticar os preços.

Cada um com sua mania. 

3 de ago. de 2021

Um dia revelo-te


Deixarei tua imagem em segurança,
No meu coração e no sistema!
Guardarei os terabytes de lembranças em minha memória
Até que os pixels das tuas fotos se separem,
Mas isso vai levar tempo,
Pois a nuvem que guardo cada brilho de olhar
Cada sorriso e todos os cheiros da paixão que me faz lembrar você,
 Está longe...
Acima das cirrostratus
Além de um backup qualquer,
 Porque eu te amo!
E não sei viver sem esse amor
 

1 de ago. de 2021

Eu, sim sou eu

Então sou!

Eu simplesmente eu.

Turva-me a visão! 

Rogo a todos os ébrios uma posição.

Sou eu?

Se sim sou!

Quisera que não fosse...

Mas se a maioria vence.

Sou eu sim, apaixonado outra vez!

Que tristeza!

Com certeza!

Lamentarei em uma próxima edição!

22 de jul. de 2021

O comunista do Café Rian - VIII


Na verdade mudar bruscamente de assunto, era a coisa mais comum naqueles tempos.

Tudo era motivo para desconfianças, um olhar direto, um jornal embaixo do braço, um sapato muito bem engraxado, uma gravata preta ou vermelha, nada escapava do olhar aguçado de um dos amigos de meu tio. Seu nome, Nilo. Era um colega de repartição. Tinha os olhos esbugalhados, bigodes bem fininhos, cabelos lambidos e grudados com brilhantina. Nunca havia visto pessoa tão desconfiada... 

Uma certa manhã ele me chamou de lado para dizer que ficasse atento aos engraxates da rua da Praia, pois eles andavam com os dedos engraxados só para sujar a camisa branca das pessoas desavisadas que não aceitavam seus serviços:

_Fica de olho guri!!! Esses malandros são tudo comunista!!!

Eu não via malandragem naqueles piás, praticamente todos guris da minha idade ou menos, que estavam ali na rua trabalhando, limpando os sapatos de todo mundo, renovando a aparência dos calçados dos que só tinham dinheiro  para pagar por meias-solas no sapateiro da esquina e, "olhe lá"! 

"Malandros"? Comunistas? Eu nem sabia o quê era isto???

Mas Nilo era desconfiado demais. Enquanto eu e meu tio observávamos as "donas boas" que desfilavam suas belezas sob a brisa suave que vinha do Guaíba, ele ficava observando as pessoas com extrema desfaçatez, pelo reflexo das vitrines...

18 de jul. de 2021

O comunista do Café Rian - VII

 Estariam entendendo tudo, não fosse a tremenda trave em seus olhos... E viva a Democracia!!!! Quer saber mais??? Contribua PIX 25926080010



16 de jul. de 2021

Por uma posição definitiva da sociedade - IMPEACHMENT JÁ

 


Um clipe reunido vários artistas está bombando nas redes sociais, coincidindo com um ato virtual pelo Impeachment de Jair Bolsonaro, que recolheu mais de 30 mil assinaturas de trabalhadores de vários segmentos culturais, representantes de movimentos sociais e setores da sociedade civil na quinta-feira (15/7).

Intitulada "Desgoverno", a música que embala o manifesto foi composta por Zeca Baleiro e Joãozinho Gomes, e sua gravação reuniu cantores, instrumentistas, atores e ativistas de várias regiões do país. Em ritmo de reggae, o refrão resume a mensagem: "Um homem sem juízo e sem noção não pode governar esta nação".

 Os artistas que participam do clipe são Aílton Graça, André Abujamra, Andrea Horta, Bárbara Paz, Camila Pitanga, Chico Salem, Dani Nega, Denise Fraga, Dira Paes, Danilo Grangheia, Érico Theobaldo, Ellen Oléria, Elisa Lucinda, Fabiana Cozza, Fernando Nunes, Gero Camilo, Julia Lemmertz, Letícia Sabatella, Kuki Stolarski, Luís Miranda, Malu Galli, Marco Ricca, Matheus Nachtergaele, Nô Stopa, Pedro Cunha, Sandra Nanayna, Simone Julian, Tata Fernandes, Tiquinho, Tuca Marcondes, Vange Milliet, Zahy Guajajara, Zeca Baleiro e Zélia Duncan.

O comunista do Café Rian - VI


As "donas boas" da rua da Praia dias de semana pela manhã, eram maravilhosas!!!! Meu queixo caia a cada cotovelada de meu tio apontando aquelas maravilhas.  A nata de mulheres bonitas, cinturas finas, seios avantajados, requebrados insinuantes... Eram manhãs que entre um cafezinho  e outro, passavam voando. 

Entre cigarros e cafés, conversas de todos os gostos, desde o futebol e das jogadas do lateral esquerdo colorado, Sadi Schwerdt,  às mancadas de Didi, e não era o trapalhão mas sim o atacante do colorado que passava por ali seguidamente e, todos mudavam de assunto ou ficavam quietos, eu não sabia o porquê... Saberia depois por causa de 2 uruguaios... 

8 de jul. de 2021

O comunista do Café Rian - V

Como disse, o aroma do fumo me embriagava, conduzia-me ao êxtase, fazia minha alma viajar milhas nas estórias propostas em uma imaginação fértil. Estávamos nos anos áureos da ditadura, nada podia ser discutido entre quatro paredes... A rua era o palco ideal! E alí, na calçada da rua, sentados em cadeiras de praia, nada era mais  normal... Família reunida era tudo de bom para aqueles tempos confusos e conturbados...

Voltando a nosso relato inicial, já se passava com certeza metade da década de 60 quando sai do apartamento da Vasco Alves, pra quem não sabe, Gen herói das batalhas Cisplatinas, para caminhar pela rua dos Andradas, por acaso, bem no inicio de tudo... Ali nasceu Porto Alegre!!! Salustiano com rua dos Andradas... Poucos metros de nossa casa!!! Mas deixemos isso pra lá.

Eu seria apresentado as mais belas "donas boas" da capital, isso sim valia a pena, meu tio, meu amigo amado só escutando Raul Torres pra entender. 

3 de jul. de 2021

O comunista do Café Rian - IV

No final de ano a casa ficava cheia. Meus tios chegavam para o Natal e Ano Novo com malas, filhas e todo o tipo de novidades. Meu avô recebia todos na casa com muito orgulho e sem parcimônia. 

Pai de quatro filhos, o vô Gustavo fazia questão de reunir toda a família, pequena para àqueles tempos. Meu pai, o primogênito, servidor público do estado, tinha três filhos, eu e minhas doces e queridas irmãs. Leda, minha tia professora, não tivera filhos. Vilmar, o "Gordo", meu tio bonachão, exator da mesa de rendas, tinha duas filhas e, o mais novo dos quatro, Gustavinho, terceiro sargento do exército tinha apenas uma filha. 

Eu era o único neto homem de meu avô, aquele que teria que dar continuidade ao sobrenome da família, era um peso enorme sobre minhas costas e todos cobravam, menos ele, meu tio...

Amigo da Onça
Sentávamos à frente da casa para jogar conversa fora e ver os raros
carros e transeuntes que passavam naquela quadra formada por apenas seis casas e a oficina mecânica do Baixinho, um picareta com cara de "amigo da onça" cuja simpatia era discutida por todos... 

Entre uma baforada e outra, se discutia de tudo. Gustavinho matava no peito um Continental sem filtro, meu tio economista, mais sofisticado, curtia um Carlton ou um Charm, eram os únicos fumantes da família. 

O aroma do fumo me hipnotizava e era fácil tornar-se personagem nas estórias contadas...

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